A Vida é uma dádiva em busca da verdade e a memória humana não suporta mentir com êxito a vida toda

03/04/2021 09H00

foto: Divulgação

Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior

Advogado no Paraná - Palestrante

Professor do Curso de Direito da UNIPAR 

iraja@prof.unipar.br


Gibran Khalil Gibran (1883 - 1931), foi ensaísta, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa, também considerado um filósofo, embora ele mesmo rejeitou este título, e alguns tendo-lhe como liberal. Nascido no Líbano, passou a maior parte da sua vida nos EUA. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe. É dele a frase: “O homem torto não pode pensar reto”. 


A memória humana não suporta mentir com êxito a vida toda. A nossa mente cria um mundo idealizado cheio de mentiras que na verdade faz parte de um grande mecanismo de defesa para que não tenhamos que nos magoar mais. Faz parte deste mecanismo o “frenesi da diversão” e a afirmação de que “vale tudo”. Esse comportamento nos mostra um homem para quem é mais importante a velocidade em alcançar o almejado do que a meta em si. Afirma Rojas, que essa “apoteose do superficial” tem provocado uma série de dramáticas consequências: o vício do sexo (pornografia), da droga, do jogo (ludopatia), dos barbitúricos (tranquilizantes), do trabalho (workaholics), de perder peso (bulimia/anorexia) e do consumismo de bens materiais desenfreado, que funcionam como ansiolíticos. Rojas arremata dizendo que embora sejam manifestações diferentes, tem um fundo comum. Todos estes comportamentos humanos frustram o autêntico progresso moral. 


Esse tipo de comportamento é um caminho seguro para a escravidão mental. Viver subordinado a alguma coisa que exige constantemente uma conduta imoral ou até mesmo ilícita, por mais prazer que possa proporcionar, desorienta a pessoa e cria a sensação de perda do controle e de prisão íntima (impulso incontrolável ou obsessão). As mentiras da mente são capazes de conduzir a pessoa para a depressão e outras tantas síndromes que pode culminar com o suicídio (fuga da vida). Desta forma, é possível afirmar que uma sociedade que é permissiva e não é capaz de criticar o comportamento desregrado e instintivo dos seus pares, debilita suas bases morais e deforma o comportamento humano. Na vida desse personagem humano tudo é aparência. Entretanto, uma traição (mentira) nunca é um acidente. Traições são crimes cuidadosamente premeditados (Judas Iscariotes traiu Jesus). Até que ponto o homem consegue sustentar uma vida ilusória, pautada na mentira? Por toda a vida? Creio que não!


Vida é verdade. Quanto mais o homem se distancia da verdade universal, mais ele se escraviza. E, ao contrário senso, quanto mais próximo da verdade universal ele se aproximar, mais livre ele será. É preciso lutar para vencer a mentira, porque ela conduz a uma existência vazia. Necessário se faz recuperar o sentido autêntico do amor à verdade e a paixão pela liberdade autêntica. São duas empreitadas difíceis que, quando conquistadas, dão uma sensação de plenitude ao homem. Todavia, exigirá muito esforço e responsabilidade. Somente a solidão e a comunicação interior farão com que o homem passe a questionar o transcendente e se vê obrigado a reformular sua existência. A solidão íntima deverá provocar uma rebelião pessoal e, o sofrimento íntimo deverá ser aceito pelo indivíduo para o seu amadurecimento, sob pena de provocar neuroses e amarguras. 


O cansaço da vida não é pouca coisa, é muito importante. Não posso me retirar da vida, nem esquecer que vivo, devo viver a vida, antecipá-la, caminhar ao longo dela (ela é uma dádiva). Essa é a peculiaridade deste cansaço, afirma Rojas. Uma das coisas que mais cansam é a luta permanente contra os revezes, transtornos e frustrações que qualquer vida implica, porque fazer grandes coisas em nossa existência exige muita luta. Por isso a vida é, como dizia Sêneca, uma batalha. Porém não desanime, reformule sua vida e procure evitar os mesmos erros. Coloque ordem em sua vida, porque é necessário estabelecer uma hierarquia de valores e preferências. Aprenda a dizer não e evite a perda de controle. Antecipe coisas boas e aprenda a aproveitar a vida desligando-se das preocupações. Procure desenvolver um esforço inquebrantável para vencer os vícios que lhe impedem de vencer. 


Khalil Gibran nos ensina que “Deus não trabalha mal. Ele nos dá razão e o conhecimento de modo a que possamos estar sempre em guarda contra as armadilhas do erro e da destruição. Abençoados são aqueles a quem Deus conferiu o dom da razão”. A Semana Santa é tempo de reflexão. É tempo de perdão. Deixe falar a voz do coração. Não reprima esse movimento da alma. Permita aflorar os dons de Deus (da verdade) que existem em você. Lembre-se: vida é verdade. FELIZ PÁSCOA!


Veja Mais